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Oceano Pensante

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segunda-feira, 7 de agosto de 2023

"Todo" se transforma

Achei meus fones de ouvidos.
Um par de fones, sem fio, muito bom de usar.
Não que estivessem fazendo falta ou que esse seja o fato mais importante do momento...


De toda forma, pelos últimos acontecimentos que venho vivendo, desde o último mês, achar os fones, que há uns 03 meses estavam perdidos, me chamou a atenção.

Pode ser o sinal de respostas ou mudanças chegando.

Nas últimas semanas muitas coisas, e crenças pessoais, têm me feito refletir..
Isso acontece o tempo todo, eu sei, mas significativamente muitas fatos novos aconteceram.

Saí da empresa onde trabalhava após 15 anos, lugar onde esperava ficar pelo menos mais alguns anos, talvez. Semanas (dias!) antes disso, fiz(emos) um investimento que há muito eu hesitava, e no qual nunca acreditei muito. Ainda, na última semana de julho, recebo uma outra (feliz, e inesperada - pela rapidez do resultado) notícia. 

De nenhum desses 3 fatos acima ainda se tem a conclusão ou completa informação ou resolução.
Ainda.

E tempos antes disso tudo, eu havia perdido meus fones de ouvido sem fio.
Mas, agora, os achei! E eu nem esperava mais encontrá-los (muito menos no lugar em que encontrei*).

É a vida mudando, as coisas acontecendo...
As (3 outras) respostas (novidades) chegando. Quem sabe.

Certo é que "nada se perde, todo se transforma...", e tudo no seu tempo.


*No porta-malas do carro carrego uma bolsa com produtos de limpeza p/carro.. Os fones estavam lá (e não tenho absolutamente qualquer lembrança de como ou quando os fones foram parar ali).


Postado por Renatito 0 drop's
Marcadores: Sinais; mudanças; vida; reflexão; transformação

domingo, 13 de novembro de 2022

"A Bússola e o Leme"...

 

Bela leitura que estou fazendo, nas manhãs primaveris deste novembro que parece nos despedir, enfim, do inverno.

"A BÚSSOLA E O LEME", de Haroldo Dutra Dias, faz uma analogia à vida da andorinha-do-mar (e só aí já me conquistou), espécie de ave que migra permanentemente, sensível aos ciclos do clima e do ano (e, assim, da vida), em busca de melhores condições de vida.

Na nota de orelha do livro, "nossa vida pode ser encarada como uma desafiadora jornada que revela quem somos e o que buscamos, mas principalmente quem nos tornamos no curso dessa viagem chamada vida humana".

O livro se propõe a nos auxiliar a "tomarmos decisões e mudar o rumo quando os desafios aparecem, mas acima de tudo para agirmos com antecedência e nos prepararmos", nos diversos aspectos da nossa vida.

Passaram-se 10 (dez) anos desde a minha última vez aqui - quando, na verdade, praticamente nem escrevi, naquela oportunidade.

Hoje, por alguma razão me senti com/à vontade de escrever (e, por sorte, a senha e o login entraram quando tentei acessar).

Que siga assim.

Aliás...
Me vem agora um canção, muito a ver com tudo isso.

"Ya estoy en la mitad de esta carretera

Tantas encrucijadas quedan detrás
Ya está en el aire girando mi moneda
Y que sea lo que sea"

                                Sea - Jorge Drexler




Postado por Renatito 0 drop's

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Concentrando energias

Que todos entendam esta ausência há mais de um ano.
Em concentração de energias...

Retorno em breve!.

                * Paciente  Confiante  Intuitivo *
Postado por Renatito 2 drop's

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Muda vida, sopra vento e vice-versa. Eu encaro.

    26 anos, 26 verões, 26 invernos... 26.000 músicas na cabeça, 260.000 planos, 260.000.000 de pensamentos na cabeça.

   Vida louca vida, vida breve... Vida louca vida, vida imensa.

   Começo a sentir as coisas mudarem, e pra mim, toda e qualquer mudança é sempre para melhor. Devemos encarar dessa forma, se realmente queremos ser felizes.

   Munido de calma, paciência, confiança e intuição sigo o rumo que a vida me mostra, que o Tempo vai me ditando, mas nunca sem dar a minha arrematada na hora de cada manobra.

  Como se eu dirigisse um carro, em boa velocidade, e olhasse toda a minha história até aqui passando, ficando para trás e, olhando pelo para-brisa, pelo caminho e pelo céu a frente, um horizonte infinito de mudanças e "infinitas possibilidade".

   Sopra vento, muda vida, que eu vos encaro da maneira que vierem.
Postado por Renatito 3 drop's

sábado, 16 de abril de 2011

Feng Shui e Harmonia Ambiental

 Buenas, galera.

  Já não atualizo o Oceano Pensante com tanta frequência, é verdade, mas ele continua vivo, mais do que nunca. Por sinal, 25 de abril de aproxima... Dia em que este espaço completará 02 ANOS de remadas e drop´s.

 O que posto aqui hoje é um texto que li em meados de fevereiro ou março, em um jornal aqui do bairro. O texto, de autoria de Marilda Romero, consultora de Feng Shui e geobiologa, fala sobre mudanças de hábitos, construção do "novo", a cada início de uma nova temporada, no caso do texto, publicado em janeiro, obviamente refere-se a como iniciar e tocar bem um novo ano.

  Remem e "dropem" na energia positiva e equilibradora desse texto, dessas dicas, as quais concordo plenamente e sempre procuro praticá-las no dia a dia.

  " (...) como construir o novo, mais uma vez?
  Talvez seja necessária a mudanças de hábitos. Fazer melhores escolhas. Perguntar a si mesmo se precisa mesmo de tudo que acumula... De tudo que deseja... Do que você precisa?
  O excesso de trabalho, de cobrança, de emoção e informação se tornou constante na vida de muita gente. Mas para que tanto?
  Descubra a beleza do intervalo e o que vale carregar na bagagem para atravessar o ano...
  Descubra a nova medida das coisas, o Caminho do Meio, O equilibro entre o excesso e a ausência. A distinguir a ação da atividade . Repense o seu ritmo.
  Se você deseja mudanças em sua vida, o melhor momento é agora. Pequenas ou grandes mudanças dão o sabor a vida. E aceite-as, com mudanças de rotas.
  Provocam transformações e até quando não são esperadas podem ser muito positivas.
  Em tempo de reescrever as metas (...), é importante reconhecer a diferença entre a expectativa e a esperança.
  Lembre-se que a  expectativa nos impulsiona em direção ao futuro e ao desejo de controle e sempre nos exaure.
  A esperança nos move em direção a sabedoria do presente, de que há uma hora certa para que tudo brote.
  Permanecer no presente é o alimento da esperança. Podemos substituir a expectativa pela atenção às sementes diárias que plantamos com nossos pensamentos, em nossos orações. Aprenda a confiar na sua força.
    
 (...)  desfrute de tempo, espaço e silêncio.
  
  Para desfrutar de tempo:
   Pacifique: O tempo é o que você escolhe fazer com ele. Não o acelere, não o estique - mantenha seu foco em sua respiração e não nas circunstâncias exteriores. Toda respiração consciente é uma forma de respiração.
  Dedique: um tempo para as questões coletivas. Você faz a diferença. Ou a indiferença. Comece um trabalho voluntário. A força da nosso espécie e a união.
  Escolha: Faça novas escolhas. Defina prazos reais. Diminua expectativas para que seu tempo ganhe novos significados. Tenha tempo livre para dedicar ao... nada!

   Para desfrutas os espaços:
  Libere: Reserve alguns espaços vazios em seu ambiente, para evitar a estagnação de energia e para criar uma boa circulação.
  Renove: Doe ou recicle, descubra novas utilidades para pertences que não estão em uso. Passe adiante com responsabilidade.
   Cuide: bem de si mesmo, reserve um momento do dia para si, para purificar seu corpo e sua alma, para encontrar-se consigo mesmo. Libere espaço interior libertando-se de antigas mágoas.
   
   Para desfrutas do silêncio:
   Desacelere: Encontre lugares onde possa relaxar, escutar os sons da natureza, da chuva, dos vento, dos pássaros, da sua respiração - sons que nos surpreendem, especialmente no verão (nota do blogueiro: recomendo isso no inverno, também, na praia).
   Desconecte: De vez em quando desligue seu telefone, a TV, o notebook e outras fontes de ruído. Aquiete-se. Tome um banho relaxante, faça uma pausa.
   Focalize: Mantenha seus pensamentos no presente, procure não ficar estressado com o que já passou e não ficar ansioso com que está por vir. Livre-se dos ruídos internos.

   (...) pense melhor em suas escolhas, em como tornar sua vida mais simples, seus gestos mais verdadeiros, sua respiração mais consciente. 1.440: esse é o número de minutos de um dia.
   Não há como mudar isso. Mas há como apreciá-los, vivê-los bem... Aproveite para criar os horizontes da sua vida, novos contornos e caminhos, construa com suas experiências a sua própria história, assuma a responsabilidade por si mesmo.

   (...) onde você concentrar sua atenção e seu tempo: aí estará a sua energia. Renove-se!

   Grifos, do blog.

   Espero, sinceramente, que tenham gostado. Pura energia; da vida!

  Para ler escutando o bom e sempre meditante-terapêutico Jack Johnson, em especial o último álbum, To The Sea, no embalo do próximo 02 de junho.

   Mahalo!
Postado por Renatito 5 drop's

quarta-feira, 16 de março de 2011

SUCESSO! - Surf Treino ASQUI - Santo Sangre/Genesis - RESULTADOS

Beira mar

Avenida dos Bancários



Nos dias 12 e 13 de março aconteceu o 1º Surf Treino da Associação dos Surfistas de Quintão (ASQUI), com mais de 90 inscrições e arrecadação de mais de 50 kg de alimentos para o sopão beneficente que acontece todas as quintas-feiras em Quintão. O sábado começou nublado, mas nada que atrapalhasse o empenho e dedicação da diretoria para colocar em prática a competição.
Os surfistas se atiraram nas ondas de meio-metro no Inside, onde mesmo, com a formação irregular, houve grandes manobras radicais. A melhor manobra acabou ficando com o surfista Zoreia, que mandou um 360. Já no Bodyboard, a manobra mais expressiva foi um “rolo na junção do cocão”, com o atleta voltando na mesma e dando sequência com um 360. Já no domingo, com o mar um pouco melhor, entrou nas ondas as semifinais que decidiram os finalistas, com destaque para os bodyboarders Ricardo Pacheco, Thiago Pacheco e Elias Abraão, que igualmente ao surfista Fernando Zorea, participaram da final nas duas principais categorias do surf e do bodyboarding.
E depois de dois dias de competição, 33 baterias, os resultados foram os seguintes:
Iniciante - 1º Henrique Belos, 2º Nathan Belos.
Mirim - 1º Vinicius Pohcarpo, 2º Eduardo Balegio.
Junior - 1º Mateus de Deus, 2º Lucas Pinheiro, 3º Reinaldo Neto, 4º Rafael Martins.
Long Board - 1º João Vicente, 2º Marcio Marques.
Open Interna - 1º Rodrigo Carrasco, 2º Fernando Zoreia, 3º Rodrigo Melão, 4º Umberto Invasor.
Open - 1º Marcos Machado, 2º Fernando Zoreia, 3º Raphinha Barreto, 4º Andrews Borges.
BB Mista Iniciante - 1º Lucas Gonçalves, 2º Tiago Santos, 3º Eduardo Coelho, 4º Juarez Mesquita.
BB Mista Interna - 1º Thiago Pacheco, 2º João Martins, 3º Ricardo Pacheco, 4º Elias Abraão.
BB Mista Open - 1º Ricardo Pacheco, 2º Thiago Pacheco, 3º Rafael Fonseca, 4º Elias Abraão.
Expression Session Surf - Rodrigo Carrasco, com um 360. Expression Session BB - Kayala Maia, com um rolo.
A direção da ASQUI agradece a presença do grande público apesar do vento forte, aos patrocinadores (Santo Sangre Surf Boarder, Genesis Bodyboard, Farmácia Roberto, Supermercado Bom Preço, Supermercado Lang, Padaria MultiPão, Power Sound Sonorização, Surfistas Locais, Cyber Lan House, Layte Lar, Skillus Lanches, Mecânica Tradição, Sorveteria Shup´s, Chamegás Aquecedores, Zeladoria Estrela, Uponboard.com, Soft Boards, Surf e Arte), ao presidente da Federação Gaúcha de Surf, Orlando Carvalho, e ao presidente da Federação Gaúcha de Bodyboard, Marco Fajardo, pelo apoio na equipe técnica; e deixa o convite para a primeira etapa do circuito 2011 que acontecerá em maio.

Fonte: Di Luca Multimídia Assessoria de Comunicação 


Marcos Machado - de Magistério - Campeão da  categoria Open - Surf

Gugu - Quintão - RS

Sol abençoando a tarde de domingo

Largada para a categoria Expression Session
Fonte - Site: http://www.integracao3.redeh.com.br/index.php/arquivo/3016-sucesso-o-1o-surf-treino-asqui-em-quintao
Postado por Renatito 0 drop's

terça-feira, 1 de março de 2011

1º Surftreino ASQUI - Santo Sangre/Genesis - 12 e 13 de março 2011 - Quintão, RS.


Clique na imagem e veja o cartaz de divulgação em tamanho maior.

Retomando as atividades, o surf e o bodyboard de Quintão, RS, apresentam, por meio de sua nova associação - ASQUI - ASSOCIAÇÃO DE SURFISTAS DE QUINTÃO - RS - o retorno de suas atividades.

Vagas limitadas em todas as categorias, com inscrições, a R$ 20,00, mais 1 Kg de alimento não perecível, na Farmácia Roberto (Quintão, RS) ou através do telefone (informações) 051 - 84258362.

Premiação em troféus e pranchas da Santo Sangre e Genesis.

Cobertura da Rádio Pop Rock, com Cristiano Figo.

Patrocínio, entre outros, do site:


Mantenha a praia limpa e caia n`água!!!





Postado por Renatito 2 drop's

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O que os olhos não veem... o coração Sente

   Diz um velho ditado que o que os olhos não veem, o coração não sente...

   Pura mentira, fantasia e pensamento obsoleto de pessoas materialistas e sem emoção. Sem noção da realidade de dentro do mar.

   Pelo menos, essa foi a conclusão a que cheguei no último domingo, 13 de fevereiro, 2011, em Quintão, entre 09 horas e 12 horas e um pouco mais, pelas bandas do oceano.

   O clássico dos clássicos; daqueles para não ser esquecido por muito tempo... ou melhor, para ser lembrado por muitos e muitos tempos. Como eu disse para um dos brothers (e esse perdeu o clássico) no final daquele domingo, só não foi um épico, talvez, pela ausência do sol; porém, mero detalhe para quem sentiu na espinha as ondas perfeitas que quebraram naquele dia.

   Para quem sentiu, mesmo sem ver.

   Após um sábado chuvoso e de ondas a desejar, eramos seis amigos, irmãos de água (de sal!) em um mar liso, levemente de sul, com ondas de pouco menos de um metro a maiores, com certeza acima de "um conto" de face, moldadas por um vento terral definido, quebrando em uma bancada que parecia ter se formado sob encomenda para aquele dia.

  Eramos seis, que, a cada onda desbravada e vencida, vibravamos, alucinados, no mais puro êxtase do soul surf. Sem competição, sem atucanação; apenas pela felicidade de estarmos juntos pegando mais um clássico  nas nossas vidas. Mas todo clássico, nunca é apenas "mais um clássico", e sim, O Clássico.

  O Clássico dos berros, de como se a vida fosse uma só.

   É difícil descrever a adrenalina, a emoção e a energia que se sente quando se pega ondas como aquelas, perfeitas, que vinham encorpadas e ficavam "em pé" na hora certa, tabulares, quebrando para os dois lados. Impossível descrever para quem não as vê, não as busca... Mas para nós que estivemos dentro do mar, naquele domingo de manhã... ainda hoje, um dia, dois dias depois, ainda é possível sentir aquela sensação suprema do mais alto nível do nosso estado de espírito.

  Falo por mim, mas tenho certeza que quem esteve lá comigo teve o mesmo sentimento.

  O sentimento de estar cuidando a linha do horizonte, a ondulação alinhada que chegava até a arrebentação e, de repente, sentir a alma arrepiar só em escutar o berro mais emocionado da vida de um de seus amigos ao sair de mais uma onda perfeita e alucinante que aquele mar de Quintão, em mais um  domingo de verão, proporcionou.

   Prova de que o coração sente, sim, até aquilo que não vê.

  O coração escuta; desde a formação da onda, até a braçada do surfista na remada do drop, até a saída do surfista da sessão final da onda.

   Dizer para um surfista que o que os olhos não veem, o coração não sente, é a maior mentira que se pode inventar; é tentar enganar a luz com um espelho.

   A cada surfada naquela manhã de domingo mágica, vibravamos, intensamente, mesmo que a emoção do amigo chegasse até nós apenas pelo som, o seu berro pelos nossos ouvidos. Não era preciso vê-lo na vala; o grito, a adrenalina e a harmonia do momento eram expressas apenas pelo som, acusando mais uma onda única.

  Como se a vida fosse uma só (e, talvez, realmente seja), colocamos para baixo, sem medo do amanhã, e estabelecemos a cada um de nós que estava lá dentro que, sim, o que os olhos não veem, o coração pode sim sentir.

   E assim como ocorreu por várias vezes naquele dia, aqui se dará de forma igual. Como registro, apenas uma abençoada foto que, por "acaso", resolvemos tirar antes de ir para o mar... talvez prevendo o que viria pela frente. Não ficaram registros fotográficos ou vídeos do mar daquele dia, das ondas que pegamos, apenas o sentimento de quem esteve lá dentro, de quem surfou, viu, escutou outro alguém pegando o.clássico do último 13 de fevereiro.

  Pela vida toda.


July Carequinha , Pumba Rafael, Doguerina, Renatito, Andrews Dolly, Matheus Larira ("Cata")
Postado por Renatito 8 drop's

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"Na vala", todos os dias


   Surfo todos os dias, todos os finais de tarde, em frente a minha casa. Podem me chamar de maluco, mas é a pura verdade. Todos os finais de tarde, entre segunda e sexta-feira, coloco minha bermuda de banho, seja colorida ou escura, e vou sem camiseta até o canal que me leva ao pico onde quebram altas ondas, onde meus pensamentos fluem como água em uma cachoeira.

   Podem me chamar de louco, maluco, viajante dos infernos, mas não. O que conto aqui é a pura verdade.

    Moro em frente ao paraíso, eu poderia dizer; em frente a um pico alucinante, cheio de árvores, com caminhos de areia onde circulam pessoas bonitas, saudáveis (algumas tentando entrar em forma, é verdade), e onde quebra uma onda de pura magia, na qual consigo remar tranquilo, dropar com tempo, correr paredes lisas e, de vez em quando, dar as manobras que teimam em não sair dentro do mar.

   Aos sábados e domingos minhas sessões de surfe acontecem na praia, mas entre um final de semana e outro, surfo no meio do Parque da Redenção (Farroupilha, como queiram).

   Ao sentar naqueles bancos em frente ao chafariz do parque, tomando meu mate ou lendo um bom livro,  sinto-me dentro d`água, dentro do mar, sentado na prancha, esperando a série, remando nas ondas mais perfeitas de um litoral qualquer, e quando me dou conta, sinto-me correndo aquela canhota extensa ou aquela direita devoradora, mas muito atrativa (ah... essas direitas...). Às vezes dou várias passadas, acelero p/escapar da crista - de algum pensamento ruim -, depois acordo - caio -, e remo de novo p/linha antes da arrebentação.

    Muitas vezes dou o banho sozinho, e até gosto, mas nas muitas outras vezes dou esse banho mágico na Redenção com um grande brother (e sua companheira, não posso esquecer), com o qual já estou acostumado nesses anos de surfadas. Aliás... Esse cara sabe bem como funciona lá dentro, do mar, ou na "vala" da Redenção, como sempre digo a ele. Há dias em que rola aquele clássico... ondas lisas, formadas por um swell bem definido e uma brisa astral... mas por vezes... o mar ou o Parque não é tão atrativo assim p/surfe, e é então que praticamos a "surfoterapia".

    Assim como no mar, nessa "vala" mágica da Redenção, outros vão chegando, vizinhos, ex-colegas de aula, pai e mãe, vô e vó, diversos conhecidos ou até desconhecidos. Amizades se formam ali, nas pequenas rodas de chimarrão, assim como se formam nos dias de ondas boas ou ruins.

     É o surfe de todos os dias, no quintal de casa, como todo surfista sonha. Eu sempre sonhei com isso, e de alguma forma, consigo realizar esse sonho.

     Quebra uma onda fantástica naquele Parque, imaginária, mas fantástica, o que a torna muito real, pelo menos p/mim. Uma onda que faz minha mente desbravar os cantos mais longínquos do Planeta Terra. A cada final de tarde, depois do serviço, me toco p/"vala" e sou feliz.

    Consigo definir com exatidão quando se trata de um dia de nordeste moderado a forte na praia, ondas mexendo, e o céu se retorcendo acima... Distingo bem quando é aquele mar de sul, le(a)vando tudo, com ondas monstras que dá uma vontade de ir p/casa tomar um banho e ver um filme qualquer.

     Reconheço muito bem quando bate o clássico naquele parque. O épico! A brisa de terral, com aquela onda cavada, mas nem tão cavada a ponto de te esmagar já no drop; é remar, botar p/lado, colocar p/baixo e correr p/abraço, sentindo aquela sensação indescritível, que só quem surfa sabe qual é. Brisa de terral, o chafariz ativado, belas garotas num pico sem crowd, com os amigos que a aquela vibração positiva trouxe p/esse banho mágico.

     Pego onda todos os dias da semana. Nos finais de semana, dentro do mar, no meio de semana, no parque em frente a minha casa. Um lugar mágico, onde todos conseguem ter o mesmo desempenho, adolescentes, crianças, velhos de meia idade, velhos da terceira idade, homens e mulheres, e porque não, as criaturas esquisitas que andam habitando aquele parque nos últimos anos.

    Falando nisso... há os dias de crowd também, dias chatos naquele parque, não posso negar, mas isso ocorre quase sempre nos domingos. Na boa, domingo é praticamente impossível surfar na Redenção, pelo menos das 15 horas em diante; muita gente n`água, e isso não é legal, ainda mais quando você se sente "local" (nativo) do pico.

    Por isso, o negócio ali na "vala" é de segunda a sexta, no máximo sábado, mas neste dia, normalmente, já estou no meu outro quintal de casa, esse de água gelada e salgada, e não o da água quente descendo a garganta numa mateada/surfada astral.

     Dou o banho todos os dias da semana, mesmo longe do mar, e assim, nessa experiência surreal e alucinante, de boa com a vida vou descobrindo novos picos e possibilidades longe do oceano.

    Mas, claro, é perto/dentro do mar e do oceano que eu prefiro estar.
Postado por Renatito 6 drop's

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Notas velhas

  Então a gente rasga as coisas velhas. Coloca no lixo notas e recibos de pagamento que já não nos garantem mais nada.

   Trituramos coisas que guardamos achando que uma hora fôssemos precisar... Mas talvez essa hora nem chegue, além do que... Hoje em dia temos a tal da internete, e nela tudo se acha, tudo se tem.

   Nem tudo, é verdade.

   Então a gente olha uns lances antigos e vê que são antigos mesmo, que ficarão apenas no passado e na memória, e que talvez guardemos para um dia colocar na parede, lembrar e dar risada. Quem sabe sentir aquele aperto no peito; coisa da nostalgia.

   Então a gente cresce, percebe que é ilusão ficar guardando tanta coisa assim, em casa ou na memória. Coisas que talvez nem valha a pena lembrar.

   Artigos de revista, revistas, notícias, piadas engraçadas, bilhetes, essas coisas, até mesmo o ticket daquele show do caralh... que fomos um dia.

   Então a gente descobre outra maneira de levar a vida, mais suave, na tranquilidade. Deixando rolar, deixando a onda levar e moldando o céu, a areia e a lua ao nosso gosto, quando dá, quando pode.

  Então se conhece gente nova, sente-se aquela coisa boa de sempre, mas de um jeito diferente.

   Um livro novo, uma nova maneira de encarar a vida; um medo menor dos rumos da vida, uma coragem maior para enfrentar o mar.

   Ano novo, vida nova... Rasgando notas velhas, ganhando e dropando coisas boas novas.   

   Ano novo. Vibrações novas.

                                          Oceano Pensante... escutando Bob Marley
Postado por Renatito 3 drop's

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

"À la recherche du temps perdu"

   Venho tentando parar na frente do computador pra escrever, escrever e escrever as coisas que penso durante o dia-a-dia, mas o momento não vem contribuindo.

  O que antes era a correria de trabalho e estudo, nas últimas semans transformou-se em preguiça, confesso. Momento da preguiça.

  As ideias continuam aqui, fumegando em minha mente, mas resolvi tirar umas férias para aquelas coisas que chamamos de compromisso, ainda que escrever aqui no blog nunca tenha sido um compromisso pra mim; sempre tratei esse espaço da mesma forma que trato os meus sapatos: levando da maneira que dá, enquanto dá, lustrando/escrevendo quando possível, e não quando ele ou alguém  pede um brilho/texto novo.

   Quase um descaso total. Meus sapatos, por sinal, não devem gostar nenhum um pouco de mim.

    2010 foi um grande ano, foi um ano e tanto, eu diria (e eu já havia determinado isso no desde o princípio), Em tempo... interessante usar esse tempo verbal, "foi", afinal, 2010 ainda está aí com muitos segundos pela frente, entretanto desde que o relógio virou a noite do dia 25 para o dia 26 de dezembro, pessoa alguma está com a cabeça no dia de hoje ou estava (com) nos dias que se passaram. Quando chegou o dia 26 em pleno domingo, passamos à expectativa do dia 31.

   Estou "pensando alto", como se diz no populês. Mas aproveitando...

   Nada mais justo. Passamos o ano inteiro correndo atrás da máquina, administrando o tempo, administrando relacionamentos, torcendo e angustiando-se por times de futebol, e fazendo mágicas e mais mágicas para juntar grana. Ansiedade pura, e é assim que a maioria dos animais da espécie humana vivem e, por consequência, sofrem o tempo inteiro.

   Leiam algo sobre o budismo, e entenderão isso.

   Chegada a hora da virada do ano, nada mais justo do que descontrair e relaxar, repor as energias e renovar as ideias, metas e objetivos. Já disse Quintana ou Drumond (até agora não descobri quem escreveu isso) "...Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”.

   A sociedade criou isso, e agora vive refém dessa prisão temporal, onde os sonhos e objetivos podem ficar travados nos meses ou anos. É uma forma útil de se organizar, mas é possível se renovar e acreditar sem ter que esperar cada final de ano...

       Tenho procurado levar cada minuto da vida como uma descoberta nova, cada refeição como um momento de prazer único, cada almoço com meus pais como um momento de sabedoria pura, cada final de semana e minuto dentro d´água como uma vida inteira, e cada hora de fadiga no trabalho como o momento de me atirar na âncora do pensamento e me remeter às coisas que mais gosto de fazer na vida.

    Poucas pessoas conseguem fazer isso, pelo que percebo, e então, no amanhecer de cada dia agradeço ao Universo  e a Toda Poderosa Natureza pelo que parece ser uma dádiva; por mais um dia de passagem pelo Planeta Terra, pelas piadas sensacionais dos meus amigos, pelos amores que já tive e pela chance de poder todo dia surfar livremente nos bancos e gramados imensos que imperam majestosos em frente a minha residência (... escreverei sobre isso outra hora).

   Mas não foi sempre assim...

   Como se eu estivesse descobrindo um tempo perdido em meio a um segredo.
   Tanta intensidade e serenidade no viver nunca foi tão presente como agora, e o incrível é ter vindo da forma mais inesperada possível; da incerteza de uma aprovação, por meio das palavras de quem teria tudo pra se mostrar o cara mais cansado e desgostoso do mundo. Salve o Velho 

    Que todos sejam mais felizes em 2011! Busquem mais as palavras dos seus pais e pessoas mais velhas, ouçam-nas, sentem mais vezes em qualqeur lugar no meio da rua e observem,  sintam-se parte de um todo maior, coneversem mais vezes com aquele amigo viajante, falem mais besteira e menos assuntos sérios, mas ainda assim falem profundamente, invistam mais na alimentação da alma e menos no mercado de capitais, irritem-se menos, deixem as coisas acontecerem ao natural. 

     Conversem mais consigo. Fiquem no silêncio do seus próprios pensamentos.
    
     Há várias possiibilidades, mas paro por aqui, pois se continuo... dirão que estou plagiando o Pedro Bial.

     Alegria na vida, essa é a dica que recebi Dele e retransmito aqui, independente do que aconteça, porque no final das contas... Aquilo que você realmente GOSTA e QUER fazer nessa passagem que é a vida, sempre vai estar à disposição. Um doce, uma água quente pra viajar olhando o céu, um bom filme, um bom desenho, uma onda abrindo e quebrando no quintal da sua casa.

    ...Filosofia Zen pra tentar achar a si mesmo(!).

                                                             Oceano Pensante
Postado por Renatito 0 drop's

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

NÃO AO 50º!


Vamos deixar que mais alguém morra surfando nas ondas do Rio Grande do Sul?

Já se foram 49 vidas devido ao descaso do Poder Público e de pescadores inconsequentes.

À alguns de nós, surfistas, também falta cuidado e atenção ao entrar no mar, entretanto quase a totalidade de casos de morte em redes de pesca não tiveram isso como causa.

Ajude-nos, espalhe essa campanha!

- Percorra toda área destinada ao surfe antes de entrar no mar.

- Não entre no mar em dias de ressaca.

- Converse com pessoas locais e com os próprios pescadores para mais informações sobre as condições reais do mar nos dias anteriores e sobre possíveis armadihas dentro do mar.

- RECLAME ao Poder Público a falta de sinalização das áreas demarcadas ao surfe, banho e à pesca.

- DENUNCIE ao Poder Público a presença de redes de pesca nas áreas de surfe e banho.

- COBRE do Poder Público uma atuação mais forte sobre isso. Uma fiscalização eficiente das áreas demarcadas.

- Seja consciente, surfista, pescador, membro do Poder Público ou simplesmente simpatizante e respeitador da vida.


Não ao 50º surfista morto nos mares do Rio Grande do Sul.

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Grupo de debates e confraternização sobre surfe - Faça parte!

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Associação de Surfistas de Quintão

Movimento criado em prol de todos os surfistas do Rio Grande do Sul e em homenagem ao irmão de água Thiago Rufatto, falecido nesta semana em Capão da Canoa, em meio a mais uma sessão de surfe.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ok, Homem, eu ainda acredito em ti!

   Quem me conhece ou acompanha este blog sabe, tenho certa preferência por qualquer outra forma de vida que não a humana, vide, inclusive, a passagem de Lord Byron que postei ao final do texto anterior a este.

    Não quero dizer, com isso, que deixaria um ser humano de lado para salvar um ou outro animal ou vegetal, por exemplo, apenas tenho mais respeito a estes do que àqueles.

    Mas o que assisti na terça-feira à noite me fez repensar tudo isso. Que coragem, que valentia, que audácia, que espírito de solidariedade e compaixão.

   Eu, com meus 26 anos completados há poucos meses, não vi o homem pisar na lua; não vivenciei toda aquela expectativa, medo e, para muitos, desconfiança sobre a Apollo 13, que em 20 de julho de 1969, levou o homem  a pisar em lugar extraterreno. Um feito que por muito tempo parecia impossível, mas que, mesmo que alavancado por questões/disputas de beleza e poder entre nações, mostrou-se viável, pleno e comprovador das possibilidades e capacidades do ser humano.

    Eu não participei, não vivenciei tudo isso, apenas li e escutei.

    Contudo, o que assisti na última terça e quarta-feira, com certeza, foi algo tão improvável quanto pisar na aula.

    33 homens soterrados em uma mina, a mais de 600 metros de profundidade. Mais de 600 metros de profundidade, ou seja, mais de meio quilômetro em direção ao centro da Terra.

     Por 68 dias, esses homens não viram a luz do sol, não sentiram o vento soprar em suas caras, nem a água da chuva escorrer em seus corpos. Devem ter sentido a solidão (ainda que em um grande grupo) e a inevitável incerteza quanto a sobrevivência; se é que um deles esperava, realmente, de maneira racional, que isso acontecesse, um salvamento de proporções inimagináveis. Inimaginável como pisar na lua.

    E aconteceu.

   A comoção que se viu no mundo inteiro quanto aos 32 chilenos e 1 boliviano presos a mais de 600 metros abaixo da superfície, era de se esperar. O mínimo que eu, ao menos, esperava; entretanto, para minha surpresa, foi-se mais longe.

    Acreditou-se piamente na salvação daqueles mineiros, e com um esforço aparentemente sobre-humano não se mediu esforços e nem tempo para tentar salvá-los.

    Além disso, a confiança estampada nos rostos de toda equipe que participou desse resgate histórico foi algo impressionante. A positividade que se via na cara do presidente chileno frente à Fênix II e o absurdo e profundo buraco por onde esta teria que viajar em várias idas e vindas...

    Eu nunca mais vou esquecer do que assisti no dia 12 de outubro, quando se iniciou o resgate, e nos demais flashs que acompanhei nas horas de heroísmo que se seguiram.

     33 homens presos 622 metros, mais de meio quilometro, abaixo da superfície do Planeta Terra, no território de um país humilde, de terceiro mundo, que por essas simples características não se mostrou menos glorioso, forte e digno do que uma nação de alto potencial econômico, cultural ou bélico.

    Mas não posso perder muito o foco. A questão aqui é o homem e sua capacidade solidária. Fazemos guerras? Sim, fazemos. Destruímos o Planeta? Sim, a cada minuto. Mas na essência, temos compaixão, solidariedade? Sim. E se não temos, podemos criar, assumir isso.

    Em meio a tantos fatos podres no mundo contemporâneo como os dois mencionadas acima, juntamente com a corrupção, a pobreza, entre outros, parece-me, ainda assim, que devo dar esse voto de confiança na espécie humana, pois o que vi nesta semana merece muito o meu respeito e a minha consideração.

     Ok, Homem, eu ainda acredito em ti. Tive provas concretas de que tua ignorância e egoísmo podem ser mitigados, ainda que seja  necessário chegar a condições extremas.

     Tudo bem, eu ainda acredito em ti.

      OCEANO PENSANTE!

     ----- Ouvindo Dire Straits - Brothers in Arms --------
Postado por Renatito 0 drop's

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E quem limpa tudo isso?

Dia de eleição na pátria de chuteiras escalada com os mais célebres e irreverentes candidatos que uma nação pode escolher.

Um milhão de votos para o glorioso Tiririca no Ente Federado Paulistano; mais de um milhão de votos. Mais de um milhão de votos para aquele que tinha como discurso "...Você sabe o que um deputado federal faz? Eu também não sei... ajude-me a descobrir!...".

Pasmem. Mas isso é besteira, deixa pra lá. Seremos sede da próxima Copa do Mundo e o que interessa são as belas paisagens da nossa terra que são vendidas lá fora, escondendo a tristeza de cada madrugada na fila do SUS nos postos de saúde e nossos irreverentes e cultos políticos.

Não vamos muito longe, também. Há quem o compare com o goleiro cujo o nome até no hino consta; eu sou fã confesso dele, mas não ao ponto de colocá-lo numa bancada legislativa. Até não conheço sua capacidade como político, sendo competente como foi embaixo das traves por mais de uma década, tudo bem. A responsabilidade agora é muito maior, sr. de Deus.

Mas eu não quero falar sobre as (possíveis) sujeiras e derrapadas de velhos ou novos políticos durante seus mandatos, quero falar sobre a sujeirada praticada no próprio dia de eleição.

No dia de eleição.

Bandeiras e hits políticos andando pra lá e pra cá às vésperas do dia eleitoral... E no dia D (ou "E"), panfletos e mais panfletos sendo espalhados pelas ruas; a cada um entregue nas mãos do eleitor, outros três são jogados no chão. As calçadas e vias públicas tomadas de "santinhos", dos mais coloridos aos mais sorridentes; ruas infestadas, panfletos espalhados, sujeira completa.

E eles ainda nem haviam sido eleitos.

Não falo aqui de um ou outro candidato específico, falo de todos os que concorreram e que não tomaram o cuidado de evitar toda a sujeira que a panfletagem político-eleitoral tem o potencial de causar. Os milhares de "santinhos" que foram espalhados apenas no dia de hoje são suficientes para entupir centenas de bueiros de qualquer cidade, só que não precisamos chegar até a este ponto.

Essa sujeira político-eleitoral é punível, ainda  que com previsão acanhada no Código Eleitoral brasileiro. Ou seja, eles mal entraram lá e já começaram a palhaçada, basta ler o Art 243, VIII da Lei 4.737/1965; consta lá:

"Art. 243. Não será tolerada propaganda:


(...)


 VIII - que prejudique a higiene e a estética urbana ou contravenha a posturas municiais ou a outra qualquer restrição de direito".


É uma poluição ambiental urbana violenta; poluição de ordem visual, estética, material e, porque não, moral, afinal, eu me sinto sim abalado na alma ao ver tanta sujeira na rua; trata-se de um abalo que só eu sei o quanto é grande, e ninguém será capaz de provar o contrário. Além desse ponto, é justo que as prefeituras ou as próprias comunidades fiquem com ônus gerado por candidatos que talvez nem ao governo cheguem? 


Independente disso, a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) traz:


"Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora:
        
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

§ 1º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.

§ 2º Se o crime:

(...)

V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos:

Pena - reclusão, de um a cinco anos.

§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível".

Leram bem que lei se trata? Lei dos CRIMES ambientais. É CRIME! Esses panfletos sorridentes espalhados pelas ruas no dia de hoje são provas de um crime praticado na porta da sua casa por quem lhe prometeu ética, dedicação e confiabiliadade por mais de um mês na televisão antes da novela das oito.

É inconcebível que nos tempos atuais atitudes como essa, da panfletagem desaforada no dia da eleição não sejam coibidas com eficácia. Sabemos que os diabinhos, digo, santinhos, são distribuídos por meros fáceis capatazes, mas que de qualquer maneira devem estar cientes que no dia da eleição não se deve colocar em prática apenas os direitos políticos que a CF/88 prevê, mas também os direitos e deveres de cuidado ambiental previsto no Art. 225 desta, cabendo, obviamente, uma recomendação que parta do próprio candidato, o qual deve ter o mínimo de consciência ambiental (e social) antes de chegar a um cargo eletivo. 

Que, ao menos, mandassem limpar tudo logo após as 17 horas.

Fatos como esse me causam uma indignação tamanha que acabo, inclusive, perdendo o tino do espaço e escrevendo mais do que queria sobre tal assunto.

Paciência; era preciso falar sobre isso, assim como outras coisas interessantes que tenho pra contar por aqui, mas que ficarão para outro dia.

E que hoje, todos vocês tenham pensando muito antes de ir lá afundar o dedo na urna. Somos seres pensantes, e escolher bem um representante político é tarefa obrigatória nossa, assim como zelar pelo meio em que vivemos.

Pensem, cobrem , exijam. Saibam das coisas; dos fatos e das possibilidades.


"(...) Há um tal prazer nos bosques inexplorados; 
  há uma tal beleza na solitária praia; 
  há uma sociedade que ninguém invade,
  perto do mar profundo e da música do seu bramir...
  Não que eu ame menos os homens, mas amo mais a natureza (...)"
                                                                       - Lord Byron -

(DE FUNDO: Neil Young)
Postado por Renatito 1 drop's

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ainda resta vida


   Tenho percepções que a mim mesmo surpreendem.

   Noticiam nos jornais que uma fumaça encobre o Rio Grande do Sul. Desde sábado nota-se e sente-se isso. No domingo estava eu e minha namorada descansando na sombra de um parque, e algo nos chamou a atenção: como o sol estava aparente. Extremamente delineado, sem sombras ao redor e o sobrepondo. Um sol alaranjado. Que lindo sol, pensamos.

   Triste ilusão    No calor de 27º C, em pleno inverno, apreciávamos uma pseudo-bela-paisagem.

   Alaranjado, pela poeira que levanta da matas. Quente, pelo fogo que rege a Amazônia brasileira, e os pagos vizinhos.

    26 anos, origem paterna das bandas da fronteira com a Argentina e o Uruguai. Nada mais que natural do que apreciar um belo e apetitoso churrasco. Nada mais belo do que a matança que a carne que se come ser originária de pura e cruel desconsideração com a própria vida humana.

  Noticia-se no jornal a névoa de fumaça que encobre a região sul do país. Lota-se hospitais com cidadãos apresentado renite, asma, bronquite e qualquer outra doença ou mal ligado à respiração.

   Falam apenas que a causa é a fumaça que paira sobre a região sul do país, Argentina e outras bandas.

   E o por que dessa fumaça?

   Alguém fala?! Alguém diz?!

   Pois eu digo: sem palavras encobertas. É para preencher o prato que satisfaz tua fome.

    É pra alimentar tua ansiedade pelo sangue escorrendo na bandeja, comendo sem pensar, dizendo que "acha bonito a onda quebrando no mar", "a duna de areia na prainha favorita", "as belas paisagens do Estado de Santa Catarina".

   Ahhhhhh, meu amigo, acha belo?! Então vá procurar o por que dessa fumaça que encobre o sul do Brasil nos últimos dias, que fantasia um falso sol-de-belo-alaranjado. É a mesma causa que te leva certas coisas até o prato, até a tua vestimenta.

   Eu, jamais, quero aqui pregar algum tipo de alimentação ou coisa parecida. Quero apenas consciência humana de quem se diz homo sapiens.

   Ora essa... sapiens, é aquele que te morde ou te ataca, por já notar que tu, homem, é muito pior que o veneno de uma cobra ou a mordida de um leão.

_________________________________________________________________________________

    Mas ainda resta vida.

   Nós somos a esperança da vida, porque se um dia a natureza realmente não conseguir nos segurar, os outros seres vão acreditar piamente no nosso próprio potencial "solidário".

    Sábado último, alguns amigos foram surfar na plataforma de pesca do balneário de Salinas, em Cidreira, praia do litoral norte do RS.  Lá, tiveram uma bela surpresa, ou melhor, uma bela visita.

    As fotos possuem o crédito do brother Tiago, e podem ser conferidas (em integralidade) no blog dele: www.uponboard.blogspot.com.

    Ainda resta vida.

    Dentro dos mares, nos oceanos, dentro de nós. Como o esforço desprendido para salvar a baleia Jubarte encalhada em Capão no domingo. Vai saber se era a mesma baleia de Salinas.

    Era uma vida, e isso basta. Dando espetáculo ou pedindo ajuda.

    Força.

   ( Tocando: eASY sTAR aLL sTAR ... - Pink Floyd)
Postado por Renatito 3 drop's
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